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FASE 01 · INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Antes de decidir quem usa IA, decida o que pode entrar nela

A pergunta que trava todo mundo na hora H é sempre a mesma: posso colar isso? Ela tem resposta, ela cabe em quatro linhas, e escrever essas quatro linhas leva uma tarde.

Outros textos daqui já disseram que é preciso nomear o que é sigiloso na empresa. Este é o como.

A ordem que quase todo mundo inverte

A primeira conversa sobre IA numa empresa costuma ser sobre pessoas: quem pode usar, quem não pode, se estagiário pode, se o comercial pode.

É a ordem errada, e o material da casa diz por quê numa linha: antes de decidir quem usa IA, decida o que pode entrar nela.

Faz diferença prática. Uma regra sobre pessoas exige julgar cada caso e cada cargo. Uma regra sobre dados vale para todo mundo, e quem está com a dúvida na mão consegue aplicar sozinho, sem perguntar a ninguém.

Quatro níveis, e só quatro

Público. O que já é público: catálogo, site, material de marketing. Vai para qualquer ferramenta aprovada, sem conversa.

Interno. O dia a dia não sensível: rascunhos, textos gerais, dúvidas de trabalho. Vai para a ferramenta aprovada.

Sigiloso. O segredo comercial e operacional — faturamento, margem, contrato, o projeto que ainda não foi anunciado. Só na ferramenta corporativa governada; nunca numa conta pessoal ou pública.

Restrito. Dado pessoal de cliente ou de colaborador. Documento de identidade, dado de saúde, folha de pagamento. Não entra. E se o seu negócio precisa que entre, isso é conversa com o jurídico antes — não decisão de quem está com o arquivo aberto às onze da noite.

Repare no que a lista faz: ela tira a decisão do calor do momento e devolve para uma régua escrita numa hora de calma.

A regra de bolso

Nenhuma classificação cobre todos os casos, e é por isso que existe uma frase para o resto:

na dúvida entre dois níveis, trate como o mais alto. O custo de errar para cima é pequeno; para baixo, é um vazamento.

Essa é a assimetria que quase nunca é dita em voz alta. Errar para cima significa alguém ter usado uma ferramenta um pouco mais chata do que precisava. Errar para baixo significa um dado que não volta.

Com essa frase escrita, ninguém precisa acertar a classificação: precisa só saber para que lado errar.

E o teto vale para a diretoria também

Aqui está a parte que costuma gerar desconforto, e ela tem uma razão técnica, não hierárquica:

Enquanto não existir ferramenta corporativa governada, o teto de todos é Internomesmo da diretoria.

Não é rigor excessivo. Sem o limite técnico, "sigiloso permitido" significa dado sigiloso indo para uma conta que a empresa não controla — e o cargo de quem colou não muda nada sobre onde o dado foi parar.

Sobe-se o teto depois que a barreira estiver no ar, não antes.

Quem não está na lista, não usa — ainda

O outro princípio é o que fecha o resto: um perfil que ninguém pensou não usa IA com dado da empresa até entrar na lista.

Parece duro e é o contrário: é o que permite liberar rápido para quem já foi pensado. É mais seguro liberar aos poucos, ampliando, do que abrir tudo e descobrir o furo depois — porque o furo se descobre pelo estrago.

É uma lista viva, não um decreto

E o detalhe que faz a coisa sobreviver ao primeiro mês: toda exceção vira uma linha nova.

Quando alguém pergunta "posso usar X para Y?", a resposta não é só sim ou não — é uma linha acrescentada, para que a mesma pergunta não seja feita de novo por outra pessoa daqui a três semanas.

Uma régua que só proíbe envelhece e vira piada interna. Uma que cresce a cada pergunta vira o jeito da casa.

O teste

Escolha o arquivo mais delicado que a sua empresa produziu esta semana, e responda:

Em qual dos quatro níveis ele está — e a pessoa que o produziu saberia responder isso sem te perguntar?

Se a segunda metade for "não", a régua ainda não existe. Existe você.

Não é parecer jurídico: o que conta como dado pessoal vem da lei do seu país, e o nível Restrito é conversa com quem responde por isso na sua empresa.